CRÓNICA DO DIA

DESAFIO À SAÚDE DE COIMBRA

Durante o governo de António Guterres foi produzido, com dinheiros públicos, um relatório estratégico sobre Coimbra – o primeiro e último que me recorde! Deste estudo resultava, clara e inequivocamente, que o sector da Saúde era a aposta pela qual se deveria fazer o futuro de Coimbra. Passada uma década pouco (ou nada) foi feito e do estudo nem sombra…Enfim, o habitual!

A Coimbra, hoje, pouco resta de excelência. Se há sector onde vale a pena investir para tornar esta cidade competitiva é a saúde e tudo o que em torno dela pode criar-se. Não falamos apenas dos cuidados médicos, mas também das novas tecnologias e dos sistemas de informação que aqui podem gerar-se; do investimento científico e de inovação, assim como demais emprego qualificado que gira à volta deste sector.

Fazer de Coimbra uma “cidade-player” competitiva na investigação, desenvolvimento, fabrico e comercialização de produtos e serviços ligados à Saúde voltaria a colocá-la no mapa (sobretudo internacional) gerando riqueza local e novas dinâmicas sociais e académicas.

Coimbra tem que criar as condições para atrair conhecimento e inovação, trazendo até si os melhores pensadores e investigadores para criar uma nova escola, desta feita com os pés bem assentes no contexto mundial de saber em que vivemos.

Coimbra – sobretudo a respectiva universidade – tem agora uma oportunidade interessante: a Microsoft em articulação com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, entidade do Ministério da Ciência, anunciou, ontem, a abertura de um Concurso Público para a atribuição da Cátedra Microsoft de Investigação em Saúde que visa o desenvolvimento de conhecimento no domínio das tecnologias de informação e comunicação aplicadas ao sector da saúde.

Esta Cátedra Microsoft prevê a criação de uma bolsa de investigação para promover a dinamização de novos projectos na área da saúde, designadamente, mas não exclusivamente: sistemas de informação da Saúde e interoperabilidade; interacção cidadão – sistemas de Informação da Saúde (C2H – Citizen to health); produção e difusão de conteúdos médicos.

Ora, a universidade de Coimbra deveria tirar mais partido das competências mútuas decorrentes de projectos com empresas-bandeira. Tem aqui uma oportunidade soberana, apresentando uma candidatura para acolher a Cátedra Microsoft. Esperemos que este investimento possa aterrar então em Coimbra contribuindo para o tão propalado destino-estratégico.

Ricardo Castanheira

Publlicado no Diário de Coimbra

http://www.ricardo-castanheira.blogspot.com/

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