CRÓNICA DO DIA

Onde estaciono?

A Polícia Municipal de Coimbra anda de caneta em riste! São agentes educados. Bem formados, bem-falantes no trato com o condutor. A noção de comando é muito restrita. Em 4 minutos de conversa, o comandante foi invocado várias vezes. O meu comandante quer que multemos os carros que ficam nas rotundas, é a nossa primeira directriz, disse o agente de que vos irei falar já a seguir. Eh pá, com tanta rotunda, está muito bem pensado por parte de quem comanda (pensei eu cá para mim; grande Comandante!)…
Conto-vos a minha última multa, primeira de estacionamento.
Oito minutos estacionado numa rotunda, com os 4 piscas do carro ligados. Fui depositar um cheque, que tinha mesmo que ser depositado, numa zona onde não há estacionamento pago em quantidade mínima (estava todo ocupado; era tão pouco). E estacionamento não pago, nem vale a pena falar. Não há.
São prédios e prédios, andares e andares, fracções e fracções, ao pé de escolas, logo não há grande possibilidade de estacionar. E ainda há lojas também. E há obras que limitam a zona de estacionamento pago. Obras que vão demorando… O habitual …
Parei, estacionei, 4 piscas e corri. Em vão. O cheque ficou depositado, mas o depósito ficou-me em 30 Euros. Expliquei ao agente da polícia municipal que demorei oito minutos. Ele disse-me que não. Eu disse-lhe que sim. Ele confirmou a minha estória, por umas multas antes e outras depois que já tinha passado (uma máquina o agente, e bem falante) depois me ter visto chegar (ele viu-me chegar, mas ficou calado), e verificou que sim. Só que já me tinha deixado, há uns minutos, uma senha numerada no meu pára-brisas e agora tinha mesmo que me multar e que preencher o papelinho e que já não o podia retirar porque já tinha preenchido uns com uns números mais à frente que o “meu” e aquilo é tipo caderneta (falava muito e bem, o agente)…
Logo multou-me 3 minutos depois de eu ligar os 4 piscas. 3 a 4! Ou então viu-me entrar no Banco, ficou a contar 180 segundos, despachou umas multas nesses 180 segundos e ficou à minha espera. Simpático, pela espera!
À minha volta, oito minutos depois de ter estacionado, havia vários carros mal estacionados, em cima do passeio, a incomodar as pessoas. O meu não incomodava ninguém. Só incomodava o agente da polícia municipal. Mas não argumentei mais. Passe l* a multa, disse-lhe. É injusta, mas é o seu trabalho. Tem razão, retorquiu, mas não posso fazer nada. Também j* me devo ter enganado a dar notas e sou professor… Faz parte, deixe lá, disse-lhe eu para remate.
Há ruas desta cidade, pejadas de prédios com poucas garagens e nenhum estacionamento próprio (dos prédios – têm uns mini logradouros, vá lá), nas quais os carros só podem ficar estacionados cá fora. Na rua! No passeio! E consta que de quando em vez passam os zelosos agentes da Polícia Municipal e vai de multar às dezenas. E essas casas, por acaso, foram mais caras que a maioria das casas deste país. E não têm onde estacionar um carro. Azar. Podemos sempre andar a pé! Faz bem à saúde. Ou mudar de cidade. Mas esta tem boas escolas e boa Universidade. E gostamos de viver por cá.
Como conjugar um planeamento urbano deficiente e com décadas com as necessidades das famílias actuais é complicado, eu sei. Eu até moro numa rua sossegada e tenho garagem. Não me posso queixar muito.
E quem mora em ruas desassossegadas e não tem garagem própria?
Onde estaciona?
José Manuel Canavarro no DiÁRIO AS BEIRAS

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