CRÓNICA DE OJE

Nos Estados Unidos foi feita, recentemente, uma experiência interessantíssima: avaliar o quanto um professor pode ser dispensável por via da utilização de “podcast” (produção de ficheiros multimédia para serem ouvidos/vistos num reprodutor tipo “ipod”). Ou seja, na mesma turma a matéria foi estudada por uns quantos alunos via “podcast”, enquanto outros seguiram a forma clássica da lição dada pelo professor. Os resultados são tão curiosos quanto as melhores avaliações foram obtidas pelos alunos que utilizaram apenas o “podcast”.

Parêntesis humorístico: ora aqui está uma ideia para os governos que se queiram livrar de professores incómodos… Fechar parêntesis.

Desta experiência poderemos extrair umas quantas conclusões: os métodos de ensino estão a mudar radicalmente; as novas tecnologias podem (e devem) ser ferramentas essenciais de capacitação e aprendizagem; os professores têm que se adaptar à mudança, entre outras.

Aplicado, “mutatis mutandis”, ao domínio da política e da cidadania, dir-se-á que o “podcast” tem infinitas potencialidades. Imagine-se, desde logo, que se, ao invés dos fastidiosos comícios, os cidadãos (e em particular os militantes de determinado partido) pudessem receber, via mail ou telemóvel, mensagens áudio ou vídeo com as principais linhas estratégicas dos candidatos.

Qual não seria a reacção de um eleitor que recebe via mail o relatório de actividades mensal do deputado eleito pelo respectivo círculo eleitoral? Imagine-se, mais ainda, se os munícipes pudessem, por exemplo, por esta via do “podcast” receber a cada ano esclarecimento sobre as principais obras e a aplicação dos recursos orçamentais? E no enriquecimento cultural de um povo se o património histórico, arquitectónico e museológico nacional pudesse ser convertido em simples e curtas explicações via “podcast”, que facilmente seriam obtidas na net, nas entradas dos museus ou pontos de interesse.

Enfim, existe uma panóplia de fins cívicos ao alcance de um simples “podcast”, que hoje é cada vez mais usados pelas novas gerações como fonte de informação e de formação.

Não esquecendo as evidentes vantagens financeiras – poupar-se-iam milhões ao erário público gastos em campanhas eleitorais inócuas – e ambientais.

Ricardo Castanheira

Publicado no Jornal OJE

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